Aumentar a qualidade de vida do paciente oncológico através de ações cada vez menos invasivas e mais eficientes no combate à doença. Esse é um dos principais benefícios da biópsia líquida, técnica de análise molecular desenvolvida para detecção do câncer. Diferente da biopsia convencional, que recolhe amostras de tecidos em procedimentos cirúrgicos, o novo método é realizado através da coleta de sangue, identificando fragmentos de tumores que se desprendem e percorrem a corrente sanguínea. No Brasil, a biopsia líquida está autorizada para análise do EGFR (receptor do fator de crescimento epidérmico), proteína encontrada na superfície de algumas células, e que sofre mutações em alguns subtipos do carcinoma de pulmão.

A nova técnica é dirigida a pacientes com câncer de pulmão que na sua maioria já passaram por algum tratamento. Conforme a oncologista do Núcleo de Oncologia Torácica (NOT) do Hospital do Câncer Mãe de Deus, Dra. Ana Gelatti, a biópsia líquida permite confirmar este subtipo da doença em cerca de 50-60% dos casos analisados. “Ou seja, mais da metade destes pacientes dispensa a necessidade de biópsia convencional, evitando o desconforto da cirurgia para coleta de amostras do tecido pulmonar”. Isso ocorre graças à sensibilidade do método em rastrear vestígios do tumor e de suas mutações, o que futuramente poderá alcançar a margem dos 80-90%, conforme observa a médica.

Ao identificar fragmentos específicos do tumor, é possível determinar a droga mais indicada para combater a mutação genética que caracteriza o tipo de câncer do paciente. Esta opção de tratamento é chamada de Terapia Alvo, que atua apenas contra as células que apresentam esta alteração molecular, como o EGFR em casos de carcinoma de pulmão. A biópsia líquida também permite interpretar resistências a tratamentos anteriores a fim de definir novas alternativas estratégicas de combate ao tumor, beneficiando especialmente a pacientes que apresentam metástases – cerca de 80% dos casos de câncer de pulmão.

Atualmente, estão em fase de pesquisa e desenvolvimento no Brasil a biopsia líquida para identificar outras mutações genéticas presentes no câncer de pulmão, definidas cientificamente como ALK, ROS 1 e BRAF. “Este avanço abre caminho para o diagnóstico de outros tipos de câncer, que serão beneficiados pela nova técnica nos próximos anos”, observa Dra. Ana Gelatti.

A biópsia líquida deve ser realizada sob indicação médica. Em Porto Alegre, o Núcleo de Oncologia Torácica do Hospital do Câncer Mãe de Deus orienta e auxilia pacientes na busca desta opção.