22/10/2026
Alguns sinais, como cansaço persistente, palidez, febre, infecções frequentes, sangramentos e manchas roxas, podem estar associados a sintomas de leucemia. No entanto, essas manifestações também podem ter diversas outras causas e, isoladamente, não indicam a presença da doença.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) destaca que na maior parte das vezes essas manifestações não são causadas por câncer. Ainda assim, é importante que sejam investigadas por um médico quando são persistentes ou surgem sem explicação.
Este artigo irá ajudar a entender o que observar, saber quais situações exigem atendimento mais rápido e como funciona a investigação. Tudo isso pode ajudar a família a buscar o cuidado adequado sem recorrer ao autodiagnóstico.
Os sintomas de leucemia variam conforme o tipo da doença e sua evolução. Eles podem estar relacionados às alterações que ocorrem na produção das células sanguíneas na medula óssea.
De acordo com o INCA, o acúmulo de células anormais na medula pode prejudicar a produção das células sanguíneas normais. Entre as manifestações que podem ocorrer estão:
Cansaço e fraqueza
Palidez
Falta de ar
Febre
Infecções persistentes ou recorrentes
Sangramentos sem explicação
Manchas roxas ou pequenos pontos arroxeados na pele
Aumento de gânglios
Perda de peso sem motivo aparente
Suor noturno
Desconforto abdominal
Dores nos ossos ou nas articulações
Esses sinais não formam uma lista para autodiagnóstico. Uma pessoa pode apresentar apenas alguns deles, e as mesmas manifestações podem estar relacionadas a problemas de saúde diferentes da leucemia.
Cansaço e palidez podem estar relacionados à redução dos glóbulos vermelhos e ao desenvolvimento de anemia. Nas leucemias, a redução de neutrófilos ou a presença de glóbulos brancos anormais pode comprometer a defesa do organismo contra infecções.
O INCA relaciona a diminuição dos glóbulos vermelhos a sintomas como fadiga e falta de ar e informa que alterações nos glóbulos brancos podem deixar o organismo mais suscetível a infecções. O National Cancer Institute (NCI), ao abordar a Leucemia Mieloide Aguda (LMA), também cita manifestações como cansaço, febre, infecção e palidez.
Ainda assim, esses sintomas são inespecíficos. Anemia, infecções e cansaço têm muitas causas possíveis, e somente a avaliação médica pode orientar a investigação.
A expressão “manchas roxas” é usada popularmente, mas não corresponde a um tipo de lesão que permita reconhecer a doença pela aparência.
Quando a produção de plaquetas é afetada, podem surgir sangramentos nas gengivas ou pelo nariz, hematomas, as chamadas equimoses, e pequenos pontos avermelhados ou arroxeados de sangramento sob a pele, conhecidos como petéquias. Em geral, as petéquias não desaparecem à pressão, mas essa característica, isoladamente, não permite identificar a causa. Essas manifestações são descritas pelo INCA entre os possíveis sinais associados à leucemia.
Não é possível confirmar ou excluir leucemia observando a cor, o tamanho ou a localização de uma mancha, nem comparando-a com fotografias na internet. Hematomas e petéquias também podem ter outras causas. Se aparecerem repetidamente, sem explicação clara ou associados a outros sintomas, é importante buscar avaliação médica.
Outras manifestações possíveis incluem perda de peso sem motivo aparente, suor noturno, aumento dos linfonodos (“ínguas”), principalmente no pescoço e nas axilas, desconforto abdominal e dores nos ossos ou articulações.
A presença e a intensidade desses sinais variam. Eles não precisam ocorrer simultaneamente para que uma investigação seja necessária, assim como sua presença não confirma leucemia.
Existe um primeiro sintoma de leucemia?
Não existe um primeiro sintoma de leucemia que seja igual para todas as pessoas. A própria evolução pode ser diferente conforme o tipo da doença.
Leucemia é um grupo de cânceres que afetam as células formadoras do sangue, principalmente na medula óssea, tecido localizado no interior de determinados ossos. De forma geral, as leucemias podem apresentar evolução aguda ou crônica.
Essa distinção também interfere na manifestação dos sintomas. A página do NCI sobre Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) informa, por exemplo, que a LLC pode inicialmente não provocar sinais ou sintomas e ser identificada durante um exame de sangue de rotina. Isso não significa que todas as leucemias crônicas se comportem da mesma forma.
Por esse motivo, não há uma sequência de sintomas que permita identificar a doença em casa.
Sintomas sem uma causa conhecida, persistentes, recorrentes ou que apresentam piora merecem avaliação médica. A associação de diferentes manifestações, como cansaço importante, palidez, infecções recorrentes, febre, sangramentos ou manchas roxas sem explicação, também deve ser investigada.
O INCA recomenda a investigação de sinais e sintomas sugestivos e diferencia esse processo do rastreamento de pessoas sem sintomas. Atualmente, segundo o órgão, não há evidência de que o rastreamento das leucemias ofereça mais benefícios do que riscos, por isso, ele não é recomendado.
Isso significa que não há indicação de realizar hemogramas periodicamente com o objetivo específico de rastrear leucemia em pessoas sem sinais, sintomas ou outra indicação médica. O caminho adequado é procurar avaliação médica diante de alterações que precisam ser esclarecidas. O profissional poderá considerar os sintomas, o histórico de saúde e o exame físico para decidir se exames são necessários.
Alguns sinais justificam atendimento imediato independentemente de a causa ser ou não uma leucemia.
Sangramento importante ou que não cessa, falta de ar intensa, desmaio ou alteração da consciência exigem avaliação imediata. Febre acompanhada de piora importante do estado geral, prostração intensa ou calafrios importantes também precisa ser avaliada rapidamente.
Nessas situações, não se deve aguardar uma consulta programada com hematologista nem uma eventual confirmação diagnóstica para procurar atendimento.
A investigação da leucemia é um processo que combina avaliação médica e exames. Não existe um resultado isolado que deva ser interpretado pelo próprio paciente ou familiar como confirmação da doença.
O INCA informa que, diante da suspeita, são realizados exames de sangue e o paciente deve ser encaminhado para avaliação do hematologista. Dependendo dos achados e do tipo de leucemia investigado, outros exames podem ser necessários.
Essa diferença entre os tipos é relevante. No caso da LMA, o NCI descreve exames do sangue e da medula óssea entre os utilizados no diagnóstico. Já na LLC, exames que avaliam o sangue têm papel central na investigação.
O hemograma avalia diferentes componentes do sangue, incluindo glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Alterações nesses componentes podem levar o médico a aprofundar a investigação.
No entanto, hemograma alterado não significa necessariamente leucemia. Diversas condições podem modificar os resultados, e nem todas as pessoas com leucemia apresentam exatamente o mesmo padrão de alteração.
Por isso, valores isolados não devem ser usados para autodiagnóstico. O resultado precisa ser interpretado considerando sintomas, histórico clínico e demais informações obtidas na avaliação médica.
Quando existe suspeita clínica, o hematologista pode indicar análises adicionais das células do sangue e, conforme o caso, exames da medula óssea e testes destinados a caracterizar as células encontradas.
O mielograma avalia a morfologia das células obtidas da medula óssea. A mesma coleta também pode fornecer material para exames complementares, como imunofenotipagem, análise cromossômica e testes moleculares.
Entretanto, o percurso não é idêntico para todas as leucemias. Os exames devem ser escolhidos pelo profissional conforme a hipótese clínica, e o mielograma não deve ser encarado como um exame a ser solicitado por conta própria.
Quem acompanha um familiar pode contribuir organizando informações que ajudem o médico a compreender a evolução do quadro. Antes da consulta, quando possível, reúna:
Quando os sinais começaram e como evoluíram.
Episódios recentes de febre ou sangramento.
Medicamentos e suplementos utilizados.
Exames anteriores.
Doenças e tratamentos prévios.
Principais dúvidas do paciente e da família.
Essas informações podem tornar a conversa mais objetiva, mas sua organização não deve atrasar o atendimento quando houver sinais de urgência. Também é importante levar exames anteriores, pois a comparação entre resultados pode fornecer contexto ao profissional.
Em casos de suspeita de leucemia, o hematologista é o especialista responsável pela investigação e avaliação das alterações no sangue. Para entender melhor a importância do diagnóstico precoce e o papel da oncologia no cuidado com o câncer, consulte também nosso conteúdo sobre quando procurar um oncologista.
Aviso importante: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação presencial por um médico.
Revisão técnica:
Nome: Dr. Marcelo Eduardo Zanella Capra
Especialidade: Hematologia e Hemoterapia
CRM: 22834
Cargo: Coordenador do Serviço de Hematologia do Hospital Mãe de Deus
Data de atualização: 22/10/2026
Se você percebeu mudanças persistentes ou sem explicação na saúde de um familiar, procure avaliação médica. No Hospital Mãe de Deus, a Hematologia, no Centro Integrado de Oncologia, atua na avaliação e no cuidado de doenças do sangue, incluindo leucemias.
Agende sua consulta ou exame no Hospital Mãe de Deus.
Não existe um primeiro sintoma igual para todas as pessoas. As manifestações variam conforme o tipo de leucemia, e algumas formas podem inicialmente não causar sintomas. Mudanças persistentes ou sem explicação merecem avaliação médica.
Podem ocorrer cansaço, palidez, febre, infecções frequentes, sangramentos e hematomas. Outros sinais dependem do tipo da doença. Essas manifestações também têm outras causas e não permitem diagnosticar leucemia sem investigação.
A expressão costuma se referir a hematomas ou pequenos pontos de sangramento sob a pele, chamados petéquias. A aparência não identifica a causa. Manchas sem explicação, sobretudo quando acompanhadas de outros sinais, precisam ser avaliadas.
O hemograma pode identificar alterações que motivam a investigação. A confirmação e a classificação dependem da avaliação especializada e dos exames escolhidos conforme a suspeita, que podem analisar o sangue ou a medula óssea.
Não. Diferentes condições podem alterar o hemograma. O médico interpreta os resultados em conjunto com sintomas, histórico e exame físico e define se existe necessidade de investigação adicional.
Não existe uma única causa identificável em todos os casos. Há fatores associados a determinados tipos de leucemia, mas ter um fator de risco não significa que uma pessoa desenvolverá a doença.
Existem diferentes tipos de leucemia e diferentes possibilidades de tratamento. A perspectiva de cura ou controle depende do tipo da doença e das características individuais do caso. Os sintomas, isoladamente, não permitem prever o prognóstico.
O hematologista é o especialista em doenças do sangue. A investigação também pode começar com uma avaliação clínica, com encaminhamento à Hematologia quando indicado. O Serviço de Hematologia do Hospital Mãe de Deus integra o Centro Integrado de Oncologia e atende doenças hematológicas, incluindo leucemias.
Sangramento importante ou que não cessa, falta de ar intensa, desmaio ou alteração da consciência exigem atendimento imediato, independentemente da causa. Não espere uma consulta eletiva ou a confirmação de leucemia diante de uma situação potencialmente grave.
O Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, possui serviço de Hematologia integrado ao Centro Integrado de Oncologia. A página institucional do HMD apresenta a especialidade e informações sobre sua estrutura e equipe.