Saber o que fazer ao presenciar uma convulsão é fundamental para poder ajudar e prestar os primeiros socorros. As primeiras ações recomendadas são: afastar objetos que possam causar ferimentos, proteger a cabeça com algo macio e marcar o horário de início. Fique por perto, sem conter os movimentos nem colocar nada na boca.
Caso seja a primeira crise, se ela durar mais de cinco minutos ou se houver dificuldade para respirar, ligue para o SAMU discando o número 192. A seguir, veja como ajudar com segurança durante a crise e acompanhar a recuperação.
Atenção: acione o SAMU 192 imediatamente se:
for a primeira crise convulsiva da pessoa
a crise ultrapassar cinco minutos
outra crise começar antes de a pessoa recuperar a consciência
houver dificuldade para respirar, ferimento importante ou dificuldade para despertar
o episódio ocorrer na água ou durante a gestação
Não espere completar cinco minutos se houver outro sinal de alerta. A leitura deste conteúdo não deve atrasar o pedido de socorro.
Os primeiros socorros em uma convulsão buscam evitar lesões enquanto o episódio acontece. Não tente interromper os movimentos à força. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), principal agência de saúde pública dos Estados Unidos, algumas ações importantes incluem:
Ajude a evitar uma queda. Se a pessoa estiver caindo e você conseguir agir com segurança, ajude-a a chegar ao chão, sem prender braços ou pernas.
Torne o ambiente seguro. Afaste objetos cortantes, móveis e outros itens que possam machucá-la. Mova a pessoa apenas se o local representar perigo imediato.
Proteja a cabeça. Coloque uma roupa dobrada ou outro apoio macio sob a cabeça, sem imobilizá-la.
Afrouxe roupas apertadas no pescoço. Solte a gola ou a gravata, se conseguir fazer isso com segurança.
Observe o tempo. Anote quando os movimentos começaram e terminaram. Se não presenciou o início, informe isso ao socorro.
Permaneça junto. Quando os movimentos cessarem e a pessoa respirar normalmente, coloque-a de lado com cuidado e acompanhe sua recuperação.
Se houver suspeita de lesão no pescoço ou na coluna após uma queda, siga as orientações do SAMU sobre movimentação. Evite aglomerações ao redor e preserve a privacidade da pessoa.
Algumas atitudes conhecidas como “ajuda” podem provocar ferimentos. Durante a crise:
Não segure braços e pernas nem tente impedir os movimentos.
Não coloque colheres, panos, dedos ou qualquer objeto na boca.
Não force a abertura da boca nem tente puxar a língua.
Não ofereça água, alimentos ou medicamentos pela boca enquanto houver crise ou recuperação incompleta.
Não sacuda a pessoa nem jogue água para tentar acordá-la.
Uma pessoa não engole a própria língua durante a convulsão. Colocar algo na boca pode machucar os dentes, causar mordidas e dificultar a passagem de ar.
A dificuldade para engolir pode continuar após os movimentos terminarem. Por isso, espere a recuperação completa antes de oferecer algo pela boca.
Se a pessoa tiver uma convulsão pela primeira vez, procure atendimento imediato, mesmo que a crise termine rapidamente. Uma crise que dura mais de cinco minutos também exige socorro imediato.
Peça ajuda também quando houver crises sucessivas sem recuperação, dificuldade respiratória, lesão importante, episódio na água ou recuperação inadequada. Convulsão durante a gestação ou em pessoas com diabetes exige atenção imediata.
Se, após os movimentos, a pessoa continuar sem resposta e não respirar normalmente, ligue imediatamente para o SAMU 192. Siga as instruções do atendente, inclusive para iniciar reanimação quando indicada.
Ao telefonar, informe o endereço, o tempo observado e como estão a consciência e a respiração. O SAMU orienta os cuidados iniciais e avalia a necessidade de envio de equipe.
Para quem já tem epilepsia, existe uma diferença: nem toda crise habitual exige ambulância quando há um plano individual de cuidado e recuperação como de costume. Siga o plano orientado pela equipe médica. Uma crise diferente do padrão ou acompanhada de sinais de alerta exige socorro.
O fim dos movimentos não encerra os cuidados. Fique com a pessoa e observe como ela se recupera.
Após uma crise convulsiva, podem aparecer cansaço, sonolência, confusão e dificuldade para lembrar o episódio. Esse período de recuperação é chamado de pós-ictal.
Converse com calma, explique o que aconteceu e mantenha o ambiente seguro. Observe a respiração e possíveis ferimentos. Não pressione a pessoa a levantar ou caminhar antes de estar recuperada.
Não presuma que basta deixá-la dormir. Dificuldade para despertar, ausência de recuperação da consciência, respiração anormal ou uma nova crise justificam pedir ajuda. O tempo de recuperação varia; não há um prazo único que permita considerar qualquer situação segura.
O relato de quem presenciou o episódio ajuda na avaliação. Procure informar:
horário de início e duração dos movimentos
ocorrência de outras crises e recuperação entre elas
como estavam a consciência e a respiração depois
quedas, batidas na cabeça ou outros ferimentos
sintomas percebidos antes do episódio, como febre ou dor de cabeça forte
doenças conhecidas e medicamentos em uso
Se houver um plano de cuidado ou uma identificação médica disponível, compartilhe essa informação. Não é necessário filmar: a assistência à pessoa deve ser a prioridade.
Uma convulsão envolve contrações musculares involuntárias, rigidez e abalos, ocasionados por anormalidade na atividade elétrica cerebral. A pessoa pode perder a consciência, cair ou deixar de responder ao ambiente.
Os sinais variam. Nem toda crise epiléptica se manifesta como convulsão: algumas crises epilépticas provocam breves alterações da atenção, da percepção ou da consciência, e podem não apresentar uma manifestação muscular exuberante.
Observar os sintomas de uma crise ajuda a descrever o episódio, mas não permite confirmar sozinho sua causa. Outros eventos também podem alterar a consciência e precisam de avaliação médica.
Não. A convulsão representa uma manifestação clínica que pode ocorrer em decorrência de diferentes situações, como traumatismo craniano, intoxicação medicamentosa ou infecção generalizada. Epilepsia, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), é uma condição neurológica em que o cérebro tem uma predisposição a gerar crises epilépticas espontâneas.
Sendo assim, uma crise epiléptica isolada não confirma o diagnóstico de epilepsia. A avaliação considera o episódio, o histórico de saúde e os exames pertinentes, para estimar o risco de recorrência de crises. Mesmo quem nunca recebeu esse diagnóstico pode apresentar uma crise epiléptica e precisar de atendimento.
A avaliação começa pelo relato do episódio, pelos antecedentes e pelo exame clínico. A equipe verifica o estado de consciência, a respiração e outros sinais para definir os cuidados necessários.
Uma crise pode estar associada a diferentes situações, como glicose muito baixa no sangue, infecções, traumatismos ou condições neurológicas. A manifestação dos movimentos de forma isolada não identifica a causa.
Conforme a avaliação individual, podem ser indicados exames laboratoriais, eletroencefalograma ou exames de imagem do cérebro. O eletroencefalograma registra a atividade elétrica cerebral e pode ajudar na investigação, mas um resultado normal não exclui o diagnóstico de epilepsia.
Nem todas as pessoas precisam dos mesmos exames. O atendimento de emergência trata as necessidades imediatas. A investigação e o acompanhamento podem continuar depois, com a Neurologia do Hospital Mãe de Deus, quando indicados.
O Hospital Mãe de Deus (HMD), em Porto Alegre, conta com neurologista na Emergência 24 horas por dia, sete dias por semana. O atendimento pode envolver recursos de investigação conforme a necessidade de cada paciente.
O hospital fica na Rua José de Alencar, 286. Consulte as informações de atendimento e acesso à Emergência do HMD para conhecer os serviços e as restrições de atendimento.
Se houver sinais de emergência, acione primeiro o SAMU 192. Após a avaliação inicial, o acompanhamento neurológico pode ser indicado para esclarecer o episódio e organizar os próximos cuidados.
Agende sua consulta ou exame no Hospital Mãe de Deus
Aviso importante: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação presencial por um médico.
Revisão técnica:
Nome: Dr. Matheus Bernardon Morillos
CRM: 46122
Cargo: Neurologista e Neurofisiologista do Hospital Mãe de Deus
Data de atualização: 06/11/2026
Afaste objetos perigosos, proteja a cabeça, marque o tempo e fique junto da pessoa. Não contenha os movimentos nem coloque nada na boca. Acione o SAMU 192 diante dos sinais de emergência.
Não. Esses objetos podem causar ferimentos e obstruir a passagem de ar. Também não coloque os dedos na boca nem tente puxar a língua.
Não. Segurar braços e pernas não interrompe a crise e pode machucar. A conduta é proteger a pessoa dos objetos ao redor, sem prender seus movimentos.
Na primeira crise, em episódio que ultrapassa cinco minutos, em crises repetidas sem recuperação ou diante de dificuldade respiratória, lesões importantes e recuperação inadequada. Outros sinais de alerta justificam ligar antes de cinco minutos.
Quando os movimentos cessarem e a respiração estiver normal, coloque a pessoa de lado com cuidado. Permaneça junto, observe a recuperação e peça socorro se houver dificuldade para despertar ou respirar.
Isso pode acontecer, mas precisa ser acompanhado. Não considere a recuperação segura apenas porque os movimentos terminaram. Dificuldade para despertar ou recuperar a consciência exige ajuda.
Não necessariamente. Uma crise isolada não estabelece esse diagnóstico. É preciso avaliar o episódio, os antecedentes e possíveis causas para orientar os próximos cuidados.
Nem sempre, se houver plano individual de cuidado e recuperação habitual. Crise prolongada, diferente do padrão, repetida sem recuperação ou acompanhada de outros sinais de alerta exige socorro.
Diante de sinais de emergência, ligue para o SAMU 192. A equipe orientará a assistência e o transporte quando necessário. Para atendimento hospitalar adulto, consulte as informações oficiais da Emergência do HMD.
A Emergência Geral do HMD não inclui atendimento pediátrico. Crianças precisam de um serviço adequado à sua faixa etária. Diante de sinais de emergência, acione o SAMU 192.