Eventualmente provocado por maus hábitos alimentares, o colesterol alto também pode ter influência no histórico familiar, conhecida como dislipidemia poligênica. No entanto, a cada 300 indivíduos no mundo, um possui a doença em virtude da herança genética direta. Isso ocorre quando o pai carrega consigo um dentre seis genes específicos conhecidos, diretamente ligados ao metabolismo celular do colesterol. O fato faz com que o filho possua 50% de chances de herdar a dislipidemia familiar heterozigótica, aumentando, consequentemente, a possibilidade de desenvolver doenças cardiovasculares, como AVC ou infarto, e reduzindo assim sua expectativa de vida. 

O diagnóstico da dislipidemia familiar heterozigótica, nome científico do colesterol alto provocado por herança genética, foi um dos pontos abordados durante o II Simpósio Internacional de Genética de Doenças Cardiovasculares. Voltado a profissionais da área, o evento ocorreu no último sábado (19/5), no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, reunindo especialistas do Brasil e Exterior. Conforme o Gestor do Serviço de Cardiologia da Instituição e um dos organizadores do Simpósio, Dr. Cristiano Jaeger, a doença não tem cura e o seu controle deve ser realizado através de medicamentos, mesmo que o paciente tenha hábitos saudáveis de vida e boas condições gerais de saúde.

“Havendo histórico de colesterol alto na família, especialmente entre os pais, o exame de mapeamento genético é a forma mais fidedigna de confirmar se a pessoa herdou a doença. Trata-se de um diagnóstico preciso, que requer apenas uma amostra de saliva para análise laboratorial”. O Hospital Mãe de Deus é um dos poucos centros no Estado a oferecer o exame. De acordo com Dr. Cristiano Jaeger, o simpósio de sábado irá abordar os avanços desta técnica e a sua respectiva difusão como forma de combater a dislipidemia e as doenças cardiovasculares no cenário nacional.